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Category Archives: Meio Ambiente


Orlando Sampaio Silva

Aquecimento global; efeito estufa; buraco na camada de ozônio por onde passam os raios solares com mais intensidade do que seria desejável; biodiversidade ameaçada; ondas de calor; savanização da Amazônia; desertificação do Nordeste; redução da capacidade produtiva dos solos; redução e/ou extinção do volume de neves nas cordilheiras de todo o Mundo; redução da vazão dos rios; secamento de outros rios em determinadas áreas interiores;enchentes freqüentes; tsunamis; inundações de cidades localizadas próximas ao nível do mar (Rio de Janeiro, Santos, Veneza, Nova York, Londres, Shangai, Tóquio, quase toda a Holanda e muitas cidades da costa brasileira, inclusive outras capitais de estados etc, etc. etc.); aumento do número de grandes furacões e de tornados; mudança no regime dos ventos; escassez de água potável; declínio na recarga dos aqüíferos do Nordeste; aumento da morbidade em conseqüência das ondas de calor, de secas e de enchentes; retração do gelo na Groenlândia e na calota polar, assim como na Antártida; quebras de safras; aumento do fenômeno el niño; agravamento da fome de até um bilhão de pessoas. As mudanças climáticas afetarão predominantemente os mais pobres, como, p. ex., em grande parte dos povos africanos. A enumeração do cenário trágico que se afigurará e já está começando a se afigurar à humanidade ao longo deste século é demasiadamente extenso para ser registrado em todos os seus detalhes neste espaço jornalístico.

E o homem não tem nenhuma responsabilidade na produção desta tragédia. Ela é apenas produzida pela natureza. O homem não está contribuindo para o aquecimento do planeta. O Sol é que está mais quente. Em síntese, é isto que afirma o “estudante” que se assina Andrew Marshall e diz ser da Universidade Simon Fraser, Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, em artigo que venho de receber via Internet e que se intitula “Aquecimento global: mentira conveniente”.

Não sou climatologista, meteorologista, astrônomo, geógrafo físico, botânico, geólogo, mas, também, não sou um tolo para não perceber a mando e a serviço de quem está este “estudante”. Ele diz ser o aquecimento global uma “mentira conveniente”, para se contrapor a Al Gore e sua luta contra o aquecimento global e seu famoso e premiado documentário. Diz serem as manifestações de Al Gore e da grande maioria dos cientistas alertando governos e a humanidade sobre as conseqüências do aquecimento global, expressões da “ciência oficial”. Por que esta é a ciência oficial e não a dos raros cientistas que servem à posição do sr. Bush, a quem dão respaldo e cobertura, presidente que se opõe a que seu país assine o Protocolo de Quioto? O sr. Bush, presidente da maior potência econômica e militar mundial, se recusa a adotar uma política de prevenção contra a catástrofe ambiental que se avizinha. Por que a “ciência oficial” não é a que serve aos governos dos países que se recusaram a assinar o protocolo de Quioto e procuraram amenizar os termos do recente relatório da ONU – IPCC: Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática)?

aquecimento_globalSe estiver a verdade científica do lado dos que se opõem às ações para amenizar o aquecimento global, ou seja, se o homem nada tem a ver com a produção do aquecimento que é crescente no globo terrestre e se este aquecimento decorre apenas da natureza, do aquecimento do Sol, nada há a fazer, todos cruzarão os braços e deixarão o deus Sol destruir a vida no nosso belo planeta. Nada se faz, ou seja: os milhões de carros automotorizados em todo o Mundo – que interessam às indústrias de automóveis e aos países produtores de petróleo – e as demais fábricas dos estados desenvolvidos, com economias em grande crescimento, principalmente daqueles que fizeram pressão para “abrandar” o relatório acima referido (EUA, Rússia, Índia, China, Arábia Saudita, ou seja, países industrializados uns e com grandes reservas de petróleo outros), continuarão a poluir o planeta lançando diariamente toneladas de carbono na atmosfera e, a aumentar o aquecimento global. Aquele “estudante” e os poucos cientistas que estão por trás dele estão, sim, servindo aos interesses imediatistas dos que detêm o lucro irresponsável, mas tão querido e tão cultuado pelo sistema capitalista selvagem. Estes cientistas, sim, estão a serviço da ciência oficial, a “ciência” que serve a estes interesses.

Negar o aquecimento global, dizer que a Terra já passou por outros períodos de aquecimento e que neste momento estamos ante novo período de aquecimento solar, ou dizer que o que está ocorrendo com a terra é o mesmo fenômeno que está atingindo outros planetas do sistema solar porque o Sol está mais quente e, por isso, nada há a fazer, é, no mínimo, um argumento medíocre e uma sandice, uma insensatez, uma parvoíce, uma tolice, porém uma tolice irresponsável; é razoável admitir-se que haja a ação conjugada de um possível aquecimento solar e da ação humana. Por um lado, aquele é o argumento que interessa aos grandes grupos empresariais com visão imediatista e que não “podem” – na realidade, não querem ver nenhuma diminuição de seus lucros – investir em medidas técnicas para diminuir o poder poluidor de suas fábricas e dos carros automotorizados.

Por outro lado, significa ignorar ou negar que no planeta Terra há concretamente toda uma complexa ação poluidora proveniente da ação humana, ou seja, das descargas de gazes dos carros automotorizados, da fumaça das chaminés das indústrias, dos desmatamentos criminosos, das queimadas idem, da poluição de todo gênero. Nosso planeta é habitado, sim, pelo gênero humano e muitos dos humanos são responsáveis por todas essas agressões ao meio ambiente. Os outros planetas são desabitados. Será que eles sabem desse detalhe?… Também, significa ignorar que os aquecimentos ocorridos anteriormente na terra – nos finais de períodos glaciais, p. ex. – levaram milhares de anos para produzir seus lentos efeitos, enquanto que, agora, a humanidade e todos os demais seres vivos estão sob uma ameaça galopante. Basta olhar pela porta da rua de nossas casas, ler os jornais e ouvir os noticiários televisivos, ou seja, é suficiente não viver isolado do Mundo em uma redoma, para perceber as ameaças e a própria destruição da vida ocorrendo no globo terrestre sob as mais variadas formas. É preciso agir! Se nada a humanidade pode fazer, evidentemente, com relação aos fenômenos solares, ela, os governos podem e devem atuar com urgência para pôr um têrmo ou, pelo menos, para amenizar a ação destruidora do homem e da vida como um todo sobre a face da terra provocada pelo próprio homem.

Orlando SAMPAIO SILVA é professor titular de Antropologia, aposentado, da UFPA

Fonte: Instituto Observatório Social

http://www.observatoriosocial.org.br/portal/index.php?option=content&task=view&id=1369&Itemid=89

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